"O Esboço do Calabouço" - É a imagem de um texto que se pretende perfeito, onde o autor nunca há de terminá-lo, e em seu enclausuramento, nunca poderá dele escapar."
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AGMAR RAIMUNDO - O Esboço do Calabouço
Um site para entender o universo dentro e fora da construção do pensamento artístico.
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A MONTANHA MÁGICA
 
Foi no cume da Serra de minha pequena cidade, que não carrega nome de nenhum santo que foi vivo - nem de homem, nem de mulher -, o nome Santo vem do morro para aqueles que têm fé. Eu, ainda na adolescência, paradoxalmente, fui lá nas poucas vezes em que até então tinha ido, e desfiz-me dos laços religiosos que não percebia lógica em obedecer.
 
Lá do alto, tentando distrair o desespero dos primeiros degraus que me pareceriam mil, por estafa, a língua colada ao beiço da boca igual a cachorro de rua com fome e com sede. Numa gradação muito interessante, com graus de dificuldade que vão se desenvolvendo ao modo de lhe diminuir o esforço, abrandando-lhe todo o corpo, parecendo ser a Natureza o arquiteto mais perfeito com uma ideia proposital de desenvoltura deste organograma rústico e pétreo, este é o percurso.
 
Pois bem, de lá dá para sentir a força do vento fazendo o suor se misturar ao tecido da camisa de algodão como se as lavadeiras estivessem nas beiras das lajes das pequenas lagoas da zona rural de minha cidade estendendo roupas torcidas e molhadas no dorso da rocha. Já, sobre a sensação de perceber o vento na cara, podemos descrever que é um vento sem descanso e sem paz, que às vezes sente frio de si mesmo, é gostoso de se sentir, mas não dá vontade de abraçá-lo e dormir.
 
A panorâmica bucólica faz sombra a qualquer conceito de estações glaciais, são espetaculares, pois de lá de cima, dá para ver, de maneira intemporal, um sertão tão verde, farto e rico que não dá vontade mais de lá de cima voltar, mas quando de lá volta é de dar revolta ter que ver e viver (ou morrer) o cotidiano do nordestino, castigado e jacinto pelas mãos do tempo, do espaço, da geografia, e da chuva que deste lado do mundo não tem compaixão; a chuva que daqui do sertão, de tanto pedir perdão, os desgraçados descamisados e bestializados acabam que abandonados à própria sorte por um  deus desalmado.
 
Agmar Raimundo
Enviado por Agmar Raimundo em 18/01/2017
Alterado em 18/01/2017


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